QUI 22 DE JUNHO DE 2017 - 17:28hs.
ALEJANDRO ORTIZ

"Brasil deve ter uma Lei ampla que atenda a todos os setores do Jogo"

(Exclusivo GMB) - Games Magazine entrevista com exclusividade o empresário Alejandro Ortiz, chairman e fundador da Ortiz Gaming, empresa com DNA brasileiro com presença global e com longa trajetória no mercado. Profundo conhecedor do setor no país e atento aos movimentos da discussão de uma lei para o jogo, Ortiz começa a traçar a estratégia de como atuará no país: “Ortiz Gaming quer ser o melhor provedor de tecnologia no Brasil”.

"Brasil deve ter uma Lei ampla que atenda a todos os setores do Jogo"

Alejandro Ortiz, chairman e fundador da Ortiz Gaming

Alejandro Ortiz, chairman e fundador da Ortiz Gaming

GMB - Gostaria de sua apresentação aos nossos leitores... Quem é Alejandro Ortiz e qual é sua história no setor de jogos no Brasil e no mundo?
Alejandro Ortiz
- Entrei para o setor de jogos com o advento da Lei Zico. Ela legalizou e regulamentou o bingo no Brasil. Após a abertura dos primeiros bingos de cartela, iniciei o trabalho para homologar as máquinas de videobingo, que trouxe a modernidade para a atividade e permitiu o crescimento do setor. E isso me levou à liderança no mercado brasileiro. Antes mesmo do fim da atividade, procurei introduzir o modelo de videobingo no mercado internacional. Outras empresas do setor também fizeram o mesmo, exportando esta tecnologia genuinamente nacional para fora do Brasil.
Hoje a Ortiz Gaming está operando em vários países da Europa, Ásia e América, incluindo Estados Unidos, além de termos nossos jogos no mundo on-line. A Ortiz Gaming está ampliando o conceito do videobingo, expandindo para outras áreas do jogo. Criamos o Bingotronik, que é o conceito do bingo de papel, mas jogado de forma eletrônica e com a possibilidade de interconexão de várias salas. É um grande diferencial, pois conseguimos trazer o calor do bingo tradicional para o sistema eletrônico. O Bingotronik foi desenhado inicialmente para o mercado brasileiro, mas já o estamos introduzindo em outros países. Desenvolvemos o OrtiZone, que são móveis projetados sob medida, que podem ter toda a livraria de jogos da Ortiz Gaming, para serem jogados dentro de servidores locais ou com acesso à internet. Como a empresa é muito ágil, criamos também jogos de rodilhos, jogos lotéricos, de habilidade e muitos outros. Resumindo, a abertura e a possibilidade da introdução do videobingo no Brasil, me permitiram crescer no mercado, alcançando um papel de destaque no país. Posteriormente, iniciei a expansão para o mercado internacional. Com a mesma missão de inovar, criar e, desta forma, crescer, aumentando o leque de ofertas de produtos, com um atendimento diferenciado.

GMB - Durante anos o Brasil conviveu com altos e baixos no setor de bingos, mas mesmo assim você teve uma presença marcante no mercado. Que avaliação você faz daquele período?
O Brasil viveu altos e baixos, principalmente pela falta de uma legislação clara, fazendo com que o mercado ficasse em vários momentos sem regulamentação. Até o momento do fechamento do mercado, procurei ser o melhor provedor. No início da atividade, os equipamentos eram importados e todos tinham um pouco do conceito de Las Vegas. Pouco a pouco a mentalidade foi mudando. Inicialmente eu importava gabinetes e software, mas o jogo não caía no gosto dos clientes. Com o passar do tempo nossos fornecedores começaram a nos ouvir e a fazer modificações solicitadas. O resultado foi um sucesso e isso me incentivou a desenvolver o software e o gabinete no Brasil. Neste desenvolvimento, levei em consideração o tipo de jogador que frequentava as salas no Brasil. O típico jogador de Las Vegas mudava de uma máquina para outra o tempo todo, com seu balde de moedas. Percebi que o jogador de videobingo era diferente e ficava horas se divertindo na mesma máquina. Desta forma, recriei o formato do gabinete e principalmente do software. No caso do gabinete, trocamos o banco alto (up-right) pelo formato "sit”, em que o jogador fica efetivamente sentado. Alguns meses depois, este formato se transformou no padrão de mercado. Foi quando introduzi também o monitor de 19 polegadas com tecnologia touchscreen, para que os jogadores pudessem interagir com a tela. Mas a principal mudança veio no software, quando mudamos alguns paradigmas. Um deles era de que as pessoas se encantavam com o som mágico das moedas batendo no prato das máquinas quando saiam prêmios. Mudamos esse padrão introduzindo as primeiras vozes anunciando os sons dos prêmios: Linha Dupla....Bingo!!! Passamos a dar importância aos prêmios e não ao som das moedas. Las Vegas retirou as moedas vários anos depois, acompanhando esta tendência. A mudança alterou a forma no atendimento nas salas. Sem o dispenser de moedas, os pagamentos passaram a ser manuais, exigindo atendentes. No início os empresários ficaram uns pouco incomodados pelo aumento de pessoal, mas logo perceberam que esse aumento elevou a atenção ao cliente e o volume de apostas.
O passo seguinte foi a mudança no programa de jogo, criando o acumulado por ilhas de máquinas, acumulado proporcional à aposta realizada, aumento de bolas extras etc. Vivenciei um momento mágico, com um sucesso atrás do outro. Foi nesse período que nasceu o Movimento Pró-Bingo, que tinha o objetivo de conquistar uma lei para o setor que atendesse o anseio do mercado. Este trabalho se somou ao que vinha sendo desenvolvido pela associação de bingos no sentido de conscientizar os legisladores do país e mostrar os benefícios da atividade, como a geração de empregos, diversão para a terceira idade, a proibição de entrada de menores e que não era um local para lavagem de dinheiro. Mas infelizmente veio o fechamento do mercado antes de conseguirmos atingir nosso objetivo.


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GMB - O fim do setor promoveu o nascimento de muitas empresas no exterior com DNA brasileiro. A Ortiz Gaming é um exemplo claro disso. Como sua empresa se posiciona atualmente no mercado global? Onde está sediada e onde são desenvolvidos os jogos atualmente disponíveis no portfólio da Ortiz Gaming?
O modelo de operação da Ortiz Gaming é de criar em cada mercado em que atuamos uma estrutura própria. Em cada mercado há uma empresa constituída localmente, com técnicos, comerciais, administrativos etc. Sempre supervisionamos as empresas locais com nossas matrizes de áreas, respeitando as legislações locais e incentivando o jogo legal e responsável. Nossos jogos são desenvolvidos principalmente no Brasil e nos Estados Unidos.

GMB - Como se processa esse desenvolvimento? Como criar jogos que mantenham o interesse do jogador, especialmente dos mais jovens, e como garantir aos operadores que eles terão a rentabilidade que esperam com os jogos da Ortiz Gaming?
Muito boa pergunta. Antes da resposta, gostaria de me posicionar sobre o jogador típico de nosso setor. Não buscamos atender um público jovem, pois o mesmo tem outros interesses, típicos da faixa etária. Nosso foco é um público de uma faixa etária mais alta, que busca como divertimento os restaurantes, compras, cinemas, teatros e, também, salas de jogos. Isto não quer dizer que os mais novos não possam ir a uma sala de jogos, mas com certeza as pessoas de mais idade terão uma tendência maior a ir a esses lugares para se divertirem. Na criação dos nossos jogos, levamos em consideração o tempo de entretenimento. Ou seja, o tempo que a pessoa passará em nossos jogos deve ser capaz de entretê-la e dar-lhe a sensação de que o tempo e o dinheiro investidos valeram a pena.

 

GMB - O Brasil está discutindo duas leis, uma no Senado e outra na Câmara, para regulamentação dos jogos. Qual é sua avaliação das propostas e como vê o futuro do jogo no Brasil?
São duas propostas com muitas diferenças entre si. As duas têm o poder de determinar caminhos diferentes um do outro e os legisladores devem ter a consciência disso. Minha opinião é que o mercado deve ser de livre iniciativa e que a própria lei de mercado faça que ele se auto equilibre. Não sou partidário de reserva de mercado. Como todo mercado de livre iniciativa, deveríamos ter uma agência que tivesse como meta regulamentar, fiscalizar e atuar para o bem do mercado. Ao meu ver, a lei de jogo deve ser ampla, atendendo todos os setores, como cassinos, salas de bingos, videoloterias, on-line etc. Caso os legisladores consigam implementar uma lei bem elaborada, que atenda aos anseios do mercado, haverá a criação de milhares de empregos, aquecerá o setor imobiliário e a criação de diversas empresas, que posteriormente poderão exportar tecnologia, como foi o caso do próprio videobingo. Tudo isso trará aumento do fluxo de turistas nacionais e internacionais e, principalmente, geração de bilhões de reais em impostos para o Brasil.

GMB - Acredita que teremos uma legislação séria e que atraia grandes empresas mundiais para o país?
Sem sombra de dúvidas, se tivermos uma lei que atenda à livre iniciativa e que seja clara e sem mudanças de regras de uma hora para outra, muitas empresas internacionais virão para o Brasil.

GMB - Qual será seu posicionamento quando o setor for regulamentado? Pretende operar bingos no país ou irá apenas ser um fornecedor de soluções tecnológicas?
Esta resposta está ligada diretamente à futura lei. Caso ela seja bem elaborada, transparente e que garanta segurança de que os investimentos serão respeitados, tenho o maior interesse no mercado, tanto como fornecedor de soluções tecnológicas como operador de salas de bingos. As empresas que tiverem as melhores soluções tecnológicas, a melhor operação de salas etc., permanecerão no mercado. Espero estar neste mercado. A Ortiz Gaming quer ser o melhor provedor de tecnologia no Brasil e, neste caso, estou falando em todos os aspectos da tecnologia, que atenderá ao novo mercado que se abre.

GMB - Acredita que o Brasil regulamentará e abrirá casas ainda em 2017?
Esta é uma pergunta de difícil resposta. Mas o que eu posso dizer é que gostaria que esta lei pudesse ser votada e regulamentada ainda em 2017, levando em consideração todos os aspectos necessários para o futuro mercado. O Brasil não pode ficar no contra fluxo do mundo.

Fonte: Exclusivo GMB