DOM 19 DE AGOSTO DE 2018 - 14:52hs.
Fernando Mendes, empresário do setor de bingos

“Esperamos a legalização para trabalhar e gerar riqueza ao país”

(Exclusivo GMB) – Fernando Mendes foi um dos empresários que iniciou a atividade de bingos no Brasil, após a implementação da Lei Zico e antes do impedimento da atividade no Brasil. Ele conversou com o GMB sobre o histórico da atividade dos bingos, o andamento do processo de regulamentação do jogo, as expectativas e projetos para atuar em futuro mercado brasileiro de jogos.

GMB – Como empresário que atuava no setor de bingos, quando eles eram permitidos no país, qual a sua avaliação sobre aquele período? Existiu algum erro de percurso que acabou levando ao encerramento da atividade?
Fernando Mendes
- O jogo de bingo foi iniciado no Brasil há alguns anos atrás, inicialmente pela Lei Zico e seguida depois pela Lei Pelé, e eu sou uma das pessoas que iniciou a atividade nesses longínquos anos passados. O que nós não podemos deixar passar é que o jogo foi encerrado de uma forma abrupta e que colocou em desespero um cem número de pessoas. Só a nossa empresa tinha mais 1600 postos de trabalho na época, todos desativados da noite para o dia. O que havia naquela época, e a gente tem que considerar que as autoridades tinham alguma razão, é que se tentou normatizar, regularizar e fazer a coisa da forma correta e infelizmente não houve sucesso e o mercado ficou solto; não houve fiscalização e um controle governamental. Essa situação ocorreu no passado e eu acredito que as autoridades tiveram razão em terminar com a atividade. Mas, ao se analisar bem, vemos que eles poderiam tem corrigido a rota e colocado uma fiscalização adequada, ajustar a legislação, que é o que esperamos que aconteça agora.

Sem a possibilidade de atuar no Brasil pela falta da lei, pode nos falar um pouco sobre suas atividades atuais? Existe o plano de voltar ao mercado brasileiro após a legalização?
Hoje, no Brasil, estamos fora do jogo por ele não ser regulamentado não há como movimentar a atividade. Porém, nós estamos bastante preparados para quando a legislação for aprovada, entrarmos com bastante força no mercado fazendo parcerias internacionais e apresentando um portfólio de 150 a 200 jogos novos que pretendemos lançar no mercado da industria de jogos aqui no Brasil.   

E qual a sua avaliação sobre o momento atual do processo de legalização do jogo no Brasil?
O processo de legalização do jogo no Brasil vem se desenvolvendo há um bom tempo e que a gente aguarda com bastante expectativa porque interessa a todos nós brasileiros, inclusive o próprio governo. Ele irá trazer uma gama enorme de recursos advindos da tributação que será obtida dessa atividade e ao mesmo tempo nós teremos uma grande abertura de mercado de trabalho para as várias especializações que o jogo necessita para se desenvolver com eficiência. Somos o único país com dimensão continental que ainda não tem a legalização do jogo. A Europa, a Ásia, inclusive no oriente médio, por incrível que pareça, tem regulamentação; nossos vizinhos sul-americanos tem o jogo liberado de forma correta e legal onde se consegue trabalhar e gerar todo o tipo de recurso que uma atividade desse nipe proporciona.  Eu vejo esse processo com bons olhos, principalmente porque temos grupo homogênio, muito forte, que está trabalhando em pról da atividade. Esperamos que o governo o mais rápido possível coloque para votação e vamos torcer para que sejam ultrapassadas todas as etapas e tenhamos a legalização do jogo para que possamos trabalhar e gerar riqueza para o país.

Como em todo o debate, existe quem seja contrário a legalização do jogo afirmando que ela abriria espaço para malefícios como o vício e pratica de possíveis crimes. Qual a sua opinião sobre esses argumentos usados contra a regulamentação dos jogos?
Toda a atividade tem benefícios e malefícios. Veja a industria da bebida alcoólica: ela trás mais malefícios ou benefícios? Não se sabe, não dá para mensurar. No jogo é possível mensurar e ele trás mais benefícios. Existe a ludopatia, a compulsividade de algumas pessoas, como existem alcoólatras, os viciados em vídeo game, mas, precisamos saber diferenciar e separar o joio do trigo. O que interessa é que em uma analise macro da atividade do jogo ela é mais benéfica que maléfica. Isso é importante ser colocado em pauta e deixar bem claro a todos para que não se confunda o jogo com lavagem de dinheiro, distribuição de drogas, essas coisas não tem nada haver, quem fala isso é um profundo desconhecedor da atividade do jogo.

O principal evento que vem cumprindo essa função de promover conhecimento sobre a atividade do jogo é o Brasilian Gaming Congress, o BgC. Qual a sua opinião sobre o congresso?
Sem dúvida nenhuma o Bgc é uma grata surpresa que se tornou um parceiro essencial para a atividade de jogos. É uma demonstração muito clara da força que o mercado brasileiro tem a nível mundial porque uma empresa como a Clarion Events, conhecida internacionalmente, um expoente de feiras e eventos de jogos, estar no Brasil promovendo uma feira para nós mostra realmente que temos um grande mercado e um parceiro do mesmo tamanho. A presença da Clarion evidência que o Brasil é o grande mercado a ser explorado e tem tudo atender as expectativas.

Sendo um empresário, na sua opinião, qual deve ser a postura do setor empresarial de jogos para ajudar a acelerar esse processo de legalização? Sente falta de algum tipo de incentivo para que os empresários sejam mais ativos nesse debate?
Os empresários precisam se conscientizar e devem fazer a sua parte. Devemos desenvolver programas corretos, com certificação, investir de forma correta. E o governo também precisa nos dar um paralelo, traçar uma limitação do que se pode colocar no mercado. Na verdade, até hoje se discute muito isso, mas, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. O governo tem N sugestões, mas, realmente eu ainda não consegui identificar alguém que pudesse esclarecer o que será pautado e votado no Congresso Nacional para que nós possamos nos preparar e iniciar os processos de programas de jogos, de montagem grupos empresárias para enfrentar a grande concorrência que está por vir...

Que tipo de concorrência espera os empresários brasileiros enfrentem após a legalização dos jogos?
Nós brasileiros vamos ter que enfrentar a concorrência externa. Eu tenho certeza que estamos preparados para isso, e muito bem preparados, ao contrário do que muita gente supõe. Mas, seria de boa recepção para todos nós se o governo sinalizasse para todos nós: “vamos sim legalizar o jogo” e já iniciaríamos os primeiros passos para essa concorrência feroz que vai haver entre os empresários brasileiros e os estrangeiros.

Com certeza, no período em que atuava no mercado de bingos no Brasil acompanhava as notícias do setor pela versão imprensa da revista Games Magazine. Na sua opinião, qual importância ela teve naquele período e qual será o papel do GMB, sua atual versão online, nesse processo de legalização do jogo?
A revista Games Magazine para quem é do jogo dispensa comentários, são todos a favor porque é a única publicação que retrata fielmente todos os passos dados no mercado de jogos. No Brasil, ela foi um marco quando tínhamos a legalização do jogo e agora em sua versão online é uma referência para todos nós empresários e para todas as pessoas fora do Brasil. O site está muito bem elaborado, bem informado, todas as notícias são eficientes e corretas. Ele é muito bem vindo e vai sem dúvida nenhuma se sobressair no mercado de jogo.

Fonte: Exclusivo GMB