SÁB 18 DE NOVEMBRO DE 2017 - 07:59hs.
Amaury Jr., apresentador de TV

“A economia brasileira terá um grande crescimento com a regulamentação dos jogos”

(Exclusivo GMB) - Amaury Jr. comanda há mais de 30 anos seu famoso programa que revela a todos o mundo da alta sociedade brasileira. Defensor dos jogos, ele fala ao GMB sobre suas expectativas para regulamentação dos jogos, elogia a lei americana e ressalta a força do país para competir no setor. 'Temos tudo diferente. O Brasil, com suas atrações turísticas, belezas, praias etc., é seu próprio diferencial'.

GMB - Em algumas oportunidades no seu programa você tem se declarado favorável ao Marco Regulatório e legalização dos jogos no Brasil. Pra você quais os maiores benefícios que o país teria com uma indústria de jogo regulamentada?
Amaury Jr. - A economia brasileira terá um grande crescimento com a regulamentação dos jogos, porque impulsiona o turismo, o comércio local, gera emprego, renda e atrai investimentos, grandes shows, entre outros. E o brasileiro gosta de jogar, haja vista o sucesso do Conrad, em Punta del Este, que movimenta toda a região e é um dos destinos mais procurados pelos jogos e grandes shows, que atraem um público disposto a gastar dinheiro e se divertir. Mas acho também que não pode acontecer o que aconteceu com as comunicações no Brasil, se dando concessões exclusivamente para deputados, para filho de senador... Todos os veículos de comunicação que operam por concessões do governo, como TV e rádio, sempre privilegiaram políticos, e deu no que deu. Tem que ganhar aquele que mostrar o melhor projeto, o mais completo. Senão vai ter um cassino em cada esquina, pequenininho. Deve-se dar a concessão para quem se comprometer a fazer um resort, com número mínimo de apartamentos e diversões completas para a família.

Você conheceu muitos lugares pelo mundo onde o jogo e os cassinos são uma atividade com bons resultados para os países. Quais dessas experiências de fora poderiam ser aplicadas no Brasil?
Acho que a legislação americana deveria ser copiada ipsis litteris aqui no Brasil. Um dos riscos da reabertura é a falta de regulamentação. Quando o jogo foi fechado na década de 1960, pelo Marechal Dutra e a dona Santinha, há de se admitir que nessa época o Brasil ainda não estava preparado para ter cassinos fora da capital, que era o Rio de Janeiro na ocasião. Por quê? Porque todo mundo usava o cassino para lavar dinheiro, para mil falcatruas. Era uma forma de esquentar dinheiro. Não era uma atividade fim, ou seja, voltada ao divertimento das pessoas por meio de slot machines, carteado, roleta etc. A legislação americana é muito completa, e pune quem se vale desse expediente.

Os projetos de lei em tramitação no congresso condicionam os cassinos aos resorts, gerando grandes centros de entretenimento que vão além das apostas. Você acha que segmentos como o das artes e espetáculos, que você também acompanha, podem se beneficiar com a nova indústria?
Sem dúvida. No Brasil, poucos políticos conhecem a indústria de hotéis-cassinos. Nesses empreendimentos, o jogo é um detalhe. São shows, espetáculos, movimentos de arte, exposições, atrações para crianças... Não acho só que o segmento de artes e espetáculos seria beneficiado. Acho que seria um agente poderosíssimo de geração de muitos e muitos empregos. Até porque, não tenho a menor dúvida de que, quando a lei estiver aprovada integralmente, com previsão de entrar em vigor, as grandes corporações internacionais virão para cá.

Além dos cassinos, outros seguimentos como bingos e o jogo do bicho também são abordados nos projetos em tramitação. Acredita que esses dois segmentos por serem mais populares também trarão um bom retorno para o Estado e para sociedade como um todo?
Quando a gente fala da regulamentação dos cassinos, está prevista também a regulamentação do jogo do bicho, que emprega tanta gente, que é o menos organizado e o mais confiável, e a reabertura dos bingos. Que foram fechados por quê? Pela suspeita de lavagem de dinheiro. Por isso acho que temos que pegar a legislação americana, que é perfeita. Adapta e tá valendo.

Falando em jogos populares, recentemente você entrevistou o Dep. Elmar Nascimento e o questionou sobre a idoneidade da Mega Sena. Qual a sua opinião sobre a loteria? Se pudesse faria alguma mudança na sua operação?
Eu não tenho a mínima competência para opinar a respeito. A única coisa que posso dizer é que tem um aroma entre os apostadores de que tem alguma coisa irregular nessa operação. Sugestão: que se faça esses jogos com mais transparência, e que se coloque uma comissão especializada em marketing para poder avaliar como ganhar a confiança dos apostadores. Primeiro averiguar o porquê de existir esse aroma permanente de falcatrua. Nem com os jogos pela TV se consegue a credibilidade necessária. Mas quem sou eu para falar se é honesto ou desonesto?

Os principais argumentos dos que são contrários à legalização dos jogos são a possibilidade de lavagem de dinheiro, que você já mencionou, e o risco do vício em jogo. Acha que no Brasil que os benefícios que uma indústria de jogo trará são maiores que esses problemas e que poderemos enfrentá-los bem após a regulamentação?
Essa é uma questão discutida historicamente há décadas. Acho que isso é inerente, e acho uma grande bobagem e uma grande contradição. Como falar em vício se o próprio governo está bancando um monte de jogos que podem viciar? Também precisamos olhar para o futuro e verificar as possibilidades e benefícios que trará ao turismo e à economia brasileira, que superam qualquer especulação negativa.

Pessoalmente, qual a sua expectativa para uma indústria de jogos e cassinos no Brasil? Qual deverá ser o diferencial dos empreendimentos brasileiros em comparação aos de outros países?
Temos tudo diferente. O Brasil, com suas atrações turísticas, belezas, praias etc., é seu próprio diferencial. As pessoas que jogam vão jogar onde tiver cassino. Por que não gerar tributos com isso? Por que não gerar empregos com isso? Acho também que Las Vegas e Atlantic City são bons exemplos para nos espelharmos. Atlantic City era uma cidade acabada, destruída. Autorizaram os cassinos lá, a cidade foi reconstruída, e hoje é uma baita geradora de empregos e de impostos. Las Vegas criou um polo no deserto! Quais as regiões mais carentes do Brasil? Bota um cassino lá! Deve-se pensar que regiões carentes poderiam ser impulsionadas, beneficiadas e transformadas.

Fonte: Exclusivo GMB