DOM 19 DE AGOSTO DE 2018 - 14:52hs.
Esperança é o PL 442/91

Hotelaria mantém expectativa para legalização dos jogos

O setor de hotelaria acompanha a movimentação para regulamentar os jogos no Brasil. Em reportagem do site Hotelier News, lideranças do setor falam da decisão na CCJ e afirmam esperar que a atvidade dos jogos se abra no país vinda do projeto que tramita na Câmara.

Na última quarta-feira, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado barrou o projeto que propunha a legalização dos jogos de azar no Brasil.A hotelaria acompanha de perto essa movimentação em Brasília. Em reportagem do Hotelier News, lideranças do setor comentaram a decisão.

Apesar da negativa, o plenário da Casa ainda pode apreciar a proposta. Contudo, a hipótese de haver uma reviravolta é considerada remota, pelo menos com o texto apreciado. As fichas do mercado hoteleiro agora se depositam no projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados.

Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), disse que o projeto que será analisado na Câmara é mais amplo do que o vetado “.O texto vedava a presença de cassinos a resorts e centros de lazer, bem como limitava o números de cidades que podiam recebê-los. Por isso, minha impressão é que o lobby dos jogos de azar não abraçou o projeto”, avalia. “Além disso, o projeto da Câmara é também mais amplo ao buscar a liberação de uma série de jogos de azar, como bingo e máquinas caça-níqueis. Então, a proposta ficou com uma cara de projeto da hotelaria mais do que qualquer outra coisa”, completa.

Alberto Cestrone, presidente da ABR (Associação Brasileira de Resorts), revela que o veto surpreendeu a associação. “Trabalhamos para a aprovação, que poderia trazer um incremento significativo para resort e para o turismo. O veto surpreendeu, sobretudo, porque o texto previa benefícios fiscais para cada estado que recebesse cassinos”, revela. “Resorts são um produto natural para absorver um empreendimento como esse. Não necessita grandes investimentos e ainda possui boa gastronomia e estrutura já prontas para fazer funcionar.”

Cestrone endossa as palavras de Sampaio sobre a amplitude do projeto da Câmara. “Sem dúvidas é mais amplo. Com isso, ele pode atrair mais interesse de outras entidades setoriais”, comenta o presidente da ABR. “Ao mesmo tempo, por ser mais amplo, pode também enfrentar maior resistência na Casa dos parlamentares”, acrescenta.

Manoel Linhares, presidente da ABIH (Associação Brasileira Indústria Hotéis)acredita que o Brasil já está bastante envolvido com os jogos de azar. "A legalização é importante. Isso tem impedido a geração de receitas na economia brasileira. Já basta o momento difícil que o país passa. Por isso, a hotelaria apoia o projeto, que vai gerar impostos, empregos e atrair mais turistas", diz.

Linhares também acredita que o setor de jogos é uma ótima maneira de “desenvolver regiões” e cita como exemplo a cidade americana de Las Vegas. "Las Vegas se desenvolveu muito e hoje é um ícone com os melhores hotéis, gerando resultados positivos para o país", avalia.

Já Manuel Gama, presidente do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), ressalta que, uma vez aprovada a legalização dos jogos de azar, não será assim tão simples atrair turistas estrangeiros. Segundo Gama, a qualidade dos empreendimentos será vital para o sucesso da medida.

"Nenhum americano vai sair do seu país para conhecer um cassino vulgarizado. É necessário apresentar diferenciais. Obviamente, para dar certo, precisamos de organização e bom planejamento", acredita. 

Para ele, para gerar qualidade, é necessário limitar onde e como serão posicionados os estabelecimentos. "Não pode ser algo sem limite, que qualquer um possa construir. Devemos tornar os poucos empreendimentos bons o bastante para geração de renda no Brasil", diz.

Alexandre Sampaio, segue outra linha. Ele não vê risco em relação a uma possível sobreoferta de cassinos no país. “O mercado se autorregula”, acredita. “Para o Rio de Janeiro, cidade com forte vocação turista, seria ótima a aprovação, principalmente para a hotelaria da Barra da Tijuca, que está ociosa”, completa.

Fonte: GMB/Hotelier News