SÁB 18 DE NOVEMBRO DE 2017 - 11:40hs.
BGC - Painel sobre A marca

“A Embratur é favorável à aprovação do jogo e criação de cassinos com resorts integrados”

No BGC 2017, Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, disse que 'será benéfico para a atração de muito investimento, geração de empregos, impostos e, claro, milhões de turistas, internos e do exterior'. Ele falou no painel sobre a marca 'Brasil' com Joseph Levy (Presidente, PMU Brasil), Edson Kikuchi (Grupo Bandeirantes de Comunicação) e Robert Heller (Presidente & CEO, Spectrum Gaming Capital) .

Igor Federal convocou para discutir o tema personalidades com vasto conhecimento sobre a indústria de jogo e a capacidade de atração que o Brasil possui.

Robert Heller, CEO da Spectrum, destacou que o "negócio de jogos significa ter cada vez mais pessoas. E o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. São Paulo tem uma das maiores populações do mundo e a economia do país alcança 50% da economia da América Latina. Ou seja, a indústria é muito grande. Vemos, por exemplo, os investimentos da Melco no mercado de Chipre (publicada aqui), com investimento de mais de 600 milhões de euros... É uma cifra considerável pensando num país tão pequeno, enquanto que o Brasil tem dimensões continentais”, afirmou.

Segundo ele, a receita de jogos, comparadas àa populações e PIB dos países estudados, aponta algo em torno de US$ 20 bilhões de receita, dependendo dos jogos a serem aprovados no Brasil. "Cada crise política é singular, mas muitos países passam pelas dores do crescimento e já estiveram em crise, mas sabemos que isso acaba se acomodando e a atividade de jogo, por ser um negócio mundial, não se envolve em corrupção por ter políticas de compliance que não permite erros em um lugar, pois será punida em mercados bem regulados”, disse, lembrando que a máfia (que deu origem ao brilho de Las Vegas) foi arrancada do negócio jogo em Nevada, para que Wall Street assumisse os investimentos no negócio.

Edson Kikuchi, diretor da Rede Bandeirantes de Televisão, media partner da Clarion, disse que a marca Brasil envolve muito mais do que praia, crise política ou outra coisa qualquer. "Somos um país em crescimento e com grande capacidade de se adaptar a tudo e a área de jogos irá se consolidar como uma área importante para o desenvolvimento econômico. A Band foi o único grupo de comunicação que se posicionou a favor do setor de jogos por entender esses benefícios, pois o jogo ilegal é um mau a ser banido com a regulamentação”.

 

PUBLICIDADE

 

Segundo ele, o país tem um potencial enorme de atração de investimentos em diversas áreas e no jogo não será diferente. "Se compararmos com os investimentos que foram e estão sendo feitos em Singapura, por exemplo, o capital a ser aplicado no Brasil será muito maior e trará benefícios não só para os investidores, mas para a sociedade brasileira”, destacou, lembrando que atualmente o volume de apostas ilegais é mais de duas vezes maior do que as apostas legais monopolizadas pelas loterias no país. "Já damos apoio político e institucional para o jogo e agora estamos estudando as formas de alavancar o turfe, além de sermos um parceiro com o poker”.

Para apresentar a posição da empresa francesa PMU, falou Joseph Levy, destacando que o desenvolvimento do mercado brasileiro de turfe passa necessariamente por uma regulamentação completa do setor de jogos, "já que o Brasil é o quarto maior produtor mundial de cavalos, gerando milhares de empregos, razão pela qual acreditamos no país e estamos com um plano de negócio em que pretendemos triplicar o volume de apostas até 2020 e multiplicar por 10 até 2025. Todos sabemos que o turfe está estagnado, mas pretendemos trazer novos públicos para esta atividade e torná-la tão grande quanto é em alguns países com tradição neste setor”.

Segundo ele, a empresa já está investindo no país para que em breve esta realidade seja reconhecida pela matriz, com forte tradição no turfe na França. "Enquanto um páreo gera 100 mil reais em apostas no Brasil, gira mais de US$ 1 milhão no Estados Unidos, o que demonstra o quanto o turfe brasileiro pode crescer”, disse.

Para finalizar, foi passada a palavra a Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, que salientou a marca Brasil como uma grife ainda em desenvolvimento, "pois ainda que a renda média seja boa, ainda precisa alcançar novos patamares”.

Segundo ele, o alto consumo e os impostos exorbitantes tiram muito capital da compra e o dirige para a tributação. "Temos alta concentração de juros e impostos, que são problemas da raiz da economia brasileira, que deixa a capacidade de investimento muito abaixo da necessidade”.

Para ele, o Brasil tem sido um bom recebedor de investimentos externos, mas precisa alcançar mais competitividade em outras áreas fora do agronegócio. "O serviço – e o jogo situa-se nessa cadeia – precisa de aportes e claro que a aprovação de uma regulamentação irá fazer com que o Brasil entre num novo patamar de investimentos”, disse. Para ele, as reformas em discussão são demoradas e isso atrasa a tomada de decisões em outros segmentos que poderiam estar promovendo aporte de capital para o Brasil na área de jogos.

"Quando isso acontecer, também o setor de turismo sofrerá um ‘boom’ de desenvolvimento”, afirmou. Para ele, "somos um dos poucos países que ainda não se deram conta da importância da regulamentação de jogos. Basta ver que a maioria daqueles que ainda não aprovaram leis para o setor de jogos são países muçulmanos. Ou seja, precisamos aprimorar o turismo aprovando cassinos, melhorando nossas marinas e parques e garantir a vinda de investimentos para benefícios para a sociedade como um todo”.

Segundo ele, dos BRICS o Brasil é o mais fechado por conta de sermos um país informal e conservador, o que ilude a lógica da modernidade com dois conceitos que não combinam, a informalidade e o conservadorismo.

"A Embratur é favorável à aprovação da atividade de jogo e criação de cassinos com resorts integrados, pois será muito benéfico para a atração de muito investimento, geração de empregos, impostos e, claro, milhões de turistas, internos e do exterior, que verão no Brasil uma nova atração além daquelas já conhecidas. Não devemos ter medo de avançar, pois ele é incompatível com a inovação. Entramos atrasados no jogo, mas podemos aprender com as experiências de sucesso no exterior. O desenvolvimento para um país é um ato moral”, finalizou.

Fonte: GMB