SEG 20 DE NOVEMBRO DE 2017 - 03:41hs.
DR. W. HENDRICH JR - COLUNISTA DO CASINO REVIEW

"Precisamos ajudar a apresentar uma imagem positiva da indústria"

O Casino Review publicou uma coluna do Dr. Witoldo Hendrich Jr, advogado e veterano de negócios do Rio de Janeiro, sobre o processo de legislação dos jogos de azar no Brasil. Ele ataca a percepção negativa da atividade feita pela mídia tradicional e afirma que uma regulamentação sólida deve ser prioridade máxima do Congresso Nacional em tempos de crise econômica. Leia a sua análise para o site Casino Review.

Falando no evento EGR Power Latam em Montevidéu em fevereiro, eu comentei que não vejo nossos congressistas suficientemente motivados para votar uma das leis que regulariam o jogo brasileiro.

O Governo Federal, a Câmara dos Deputados e o Senado parecem todos concordar com a regulamentação - neste momento sabemos que vai passar -, mas quando isso vai acontecer permanece uma questão em aberto.

Há várias razões para o lento progresso, mas uma das mais significativas tem sido a falta de quórum em múltiplas sessões de ambas as casas. Como é possível que um assunto tão importante seja repetidamente levado a votar sem um quórum mínimo, ou não levado a votação antes do final de uma sessão?

Atualmente, além da regulação do jogo, os legisladores no Brasil estão votando algumas questões muito controversas, incluindo revisões dos sistemas de pensão e tributação, medidas anti-corrupção e a regulamentação da maconha.


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De todas estas questões em curso, as mais urgentes são as medidas que manterão o paciente vivo; o jogo é um dos vários remédios possíveis que ajudariam a estabilizar a economia brasileira durante este período difícil. No entanto, a nossa sociedade não tem uma opinião de consenso sobre se o jogo é um bom remédio, ou simplesmente um tipo diferente de doença e, embora pessoalmente, eu sinto que os benefícios superam os custos, a opinião pública ainda não está de claro acordo.

A percepção popular de uma atividade desempenha o papel de se o público está disposto a pressionar os legisladores para sua legalização. Quando você fala sobre a legalização da maconha, as pessoas imaginam cenas de jovens em uma praia, uma fogueira, alegria e liberdade inofensiva.

Por outro lado, quando a questão do jogo é levantada, a imagem evocada é uma imagem influenciada por Hollywood no estilo dos mafiosos de Scorsese/DeNiro, corrupção, vício e ruína financeira.

Exatamente uma semana depois da minha palestra no EGR Power Latam, o Globo, o maior jornal do Brasil e parte do maior grupo de mídia da América Latina, publicou uma edição negativa do jogo.

Deixe-me compartilhar alguns destaques livremente traduzidos: "Atrás de máquinas de slots ilegais, uma rede de criminosos escondidos se fazem conhecer através de homicídios devido a disputas por pontos de venda ... o jogo no Brasil sempre gerou um criminoso subterrâneo".

Depois de anos estudando diferentes países, seus sistemas de jogo e mercados, é doloroso para mim ler esse tipo de absurdo, que está completamente desapegado da realidade.

A mídia está descrevendo o mercado ilegal e erroneamente afirmando que esse horrível quadro seria uma consequência inevitável da legalização do jogo, quando, pelo contrário, é uma consequência da proibição do jogo, assim como os EUA experimentaram com Al Capone e a proibição de Álcool no início do século XX.

Diretamente após meu discurso em fevereiro, Bruno Dreux, fundador e CEO da AMO, agência digital do Rio de Janeiro, observou que a regulamentação do jogo "não é mais apenas um assunto legal ou técnico".

Ele está certo, é um problema de mídia e precisamos de pessoas como ele para ajudar a apresentar uma imagem positiva da indústria. O público precisa saber que as pessoas que trabalham dentro desta indústria agem legalmente e com integridade e alimentam suas famílias com dignidade.

No mesmo evento, Horacio Santoianni, diretor de operações da Torre Torneos, sugeriu a formação de uma associação pan-latino-americana de operadores, para ajudar as partes interessadas da indústria a encontrar uma solução em conjunto.

Neste momento, os operadores que buscam o potencial mercado brasileiro precisam encontrar uma maneira de levar o público a entender sua visão, o que por sua vez ajudará a impulsionar os esforços para legalizar a indústria e reforçar para o Congresso Nacional que a legislação de jogo continua a ser uma das principais prioridades.

Fonte: GMB/Casino Review