QUA 18 DE JULHO DE 2018 - 13:42hs.
US$ 3,3 bilhões

Na Inglaterra, o maior vencedor da Copa do Mundo: as apostas online

Os britânicos devem apostar cerca de US$ 3,3 bilhões neste Mundial, de acordo com dados publicados pelo jornal London Times, o que representa um aumento de 50% em relação ao torneio anterior. Este número é quase exatamente a soma estimada do que os fãs gastarão em comida, bebida, mercadorias, pubs, clubes e cafés, se a Inglaterra conseguir erguer a taça.

Quanto mais tempo Harry Kane, o capitão da Seleção Inglesa, e sua equipe permanecem em campo na Copa do Mundo 2018, maior será o impulso para a economia do Reino Unido. Mas há uma indústria que ganha, não importa o que aconteça: o segmento das apostas.

Os britânicos devem apostar cerca de US$ 3,3 bilhões neste Mundial, de acordo com dados publicados pelo jornal London Times, o que representa um aumento de 50% em relação ao torneio anterior. Este número é quase exatamente a soma estimada do que os fãs gastarão em comida, bebida, mercadorias, pubs, clubes e cafés, se a Inglaterra conseguir erguer a taça.

O boom nas apostas deve sofrer uma pausa para que os apostadores pensem, até porque aproximadamente dois milhões de pessoas no Reino Unido são consideradas em risco de se tornarem viciados em jogos. Restringir a publicidade, sem quebrar as plataformas de apostas, é uma boa maneira de cutucar os consumidores enquanto eles ainda têm seu poder de escolha intacto.

A disseminação da tecnologia e décadas de regulamentação bastante permissiva, com lojas de apostas comuns nas ruas britânicas desde a década de 1960, lançaram as bases para o atual cenário. O mercado de apostas on-line do Reino Unido é o maior da Europa, com receita bruta de US$ 5,7 bilhões, segundo a consultoria GBGC. Mercados como a França estão se aproximando, mas o setor francês ainda tem uma coleira muito mais apertada.

No passado, os agentes da indústria argumentaram que a oposição à publicidade das apostas é emocional, e não baseada em evidências. O doutor Mark Griffiths, da unidade de pesquisa sobre jogos da Universidade Trent, em Nottingham, descobriu o contrário.

Publicidade é gatilho para apostas

De acordo com sua pesquisa, a normalização das apostas esportivas poderia prejudicar setores vulneráveis da sociedade: cerca de 70% das crianças viram anúncios de jogos nas redes sociais, de acordo com a Gambling Commission; e os jogadores problemáticos mencionam a publicidade como um gatilho.

Uma repressão direta às apostas online é, provavelmente, uma atitude mais paternalista do que a sociedade do Reino Unido apoiaria. Além disso, abasteceria um mercado negro de pessoas fissuradas em apostas. Entretanto, os consumidores se beneficiariam de um empurrãozinho na direção certa: campanhas publicitárias e de conscientização sobre os riscos do jogo poderiam equilibrar um pouco mais as escalas.

Uma proposta de Raian Ali, da Bournemouth University, na Inglaterra, sugere o redirecionamento dos dados coletados pelas plataformas de jogos de azar para o consumidor, para que os apostadores possam ver o registro completo de suas atividades e o dinheiro gasto (e perdido).

Essas medidas fariam muito sentido. Mas, futuros esforços regulatórios ainda devem direcionar a máquina de marketing de um mercado de apostas cada vez mais voltado para o volume e comoditizado.

Uma redução ou proibição de anúncios de apostas ajudaria, sem dúvida, no combate ao vício do jogo. Mas, como no caso da publicidade a bebidas alcoólicas e cigarros, nas quais agora se aplicam pesadas restrições no Reino Unido, é improvável que as empresas se retenham voluntariamente. Apostar em menos exposição poderia pagar a sociedade a longo prazo.

Fonte: GMB / O Globo