QUA 19 DE SETEMBRO DE 2018 - 05:01hs.
Fabián Bataglia
OPINIÃO-FABIAN BATAGLIA, JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SETOR DE JOGOS

O Brasil exporta apostadores aos países limítrofes

No Brasil, a cada ano se movimentam cerca de 200 mil pessoas aos países vizinhos para visitar os cassinos e fazer apostas. Uruguai, Argentina e Paraguai são os principais destinos dos brasileiros que não podem jogar em seu país e gastam grandes somas de dinheiro a cada semana nas mesas de jogo de Punta del Este ou Iguaçu, deixando escapar centenas de milhões de reais ao ano, dos cofres da União.

O Brasil exporta apostadores aos países limítrofes

Faz alguns meses a autoridade do jogos de azar de Paraguai reconheceu que a possibilidade que os jogos em Brasil sejam legais, poderia ter um efeito negativo no turismo do país, porque muitos brasileiros vão jogar aos cassinos e deixam milhões nas mesas de jogos e em caça-níqueis. Por sua parte, segundo o Instituto Uruguaio de Turismo Sustentável, o 70 por cento dos jogadores nas salas VIP do país, são brasileiros. Uruguai é o país que saca mais utilidade da situação de Brasil com respeito à lei do jogo que não sei termina de legalizar, já seja por questões do presente político do país o por não pôr-se de acordo com a maneira de que os jogos deveriam ser regulamentados.

Entanto, os países vizinhos seguem arrecadando os reais que os turistas brasileiros não podem gastar em seu país, senão é pela via ilegal. Os empresários uruguaios conhecem esta situação y não deixam passar a oportunidade de fazer sentir aos turistas como reis. No hotel Conrad Punta del Este, o 75 por cento dos ingressos provêm dos jogadores VIP e o cassino Carrasco quer implementar o tapete vermelho para o grupo de jogadores que compõem o seleta confraria de 1.500 apostadores que gastam entre 20.000 e 5 milhões de dólares num fim de semana de cassino. Aos empresários uruguaios só falta pôr uma coroa na cabeça dos jogadores brasileiros e rogam porque os deputados e senadores do Brasil seguem discutindo sem aprovam a lei e não, permitindo que os milhões de reais fujam-se a suas mesas de jogo. 

Os responsáveis dos cassinos uruguaios falam que o fluxo de jogadores VIP contribuem que as casas de jogos e os resorts desse país sejam parte dos grandes contribuintes do fisco. Eles asseguram que cuidando os detalhes vão manter o retorno que os cassinos fazem ao país. Só o caso da empresa chilena Enjoy em Uruguai, há mais de 1.000 postos de emprego e movimenta uma cadeia de 600 fornecedores, e seus responsáveis falam que os cassinos asseguram o futuro da região. Ainda, o aporte pelo cânon e os impostos que aporta o jogo supera os 720 milhões de dólares, o que representa o 1,3 por cento do PBI, isto somado ao gasto que os turistas deixam no pais. A popularidade dos cassinos de Uruguai entre os jogadores brasileiros e argentinos, pode ser confrontada com o Monte Carlo dos anos 50, em cuias mesas reuniam-se a elite dos jogadores europeus.

Porém não só Uruguai beneficia-se de que Brasil siga sem lei que legaliza os jogos de azar. No 2012, a empresa Boldt, que tem sete hotéis em Argentina e dois em Uruguai, projetou um resort em Salto do Guairá, com uma inversão de 360 milhões de dólares, situada a só 1.500 metros da fronteira com Brasil. Sim analisamos que uma empresa com a experiência de Boldt inverteu essa suma de dinheiro numa cidade onde no 2012 o tendido elétrico não era confiável, é porque estar tão perto do Brasil é um grande negócio. Hoje, Salto do Guairá tem cerca de 17 shoppings, hotéis e cassinos, e sim temos em conta que oito de cada dez habitantes da região vivem no campo, não é difícil deduzir que as inversões são pelos jogadores brasileiros que inundam a cidade e que são o alvo das promoções comerciais que aparecem na web cada semana.

Também, na localidade de Pedro Juan Caballero, cidade vizinha do município de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, os empresários apontam diretamente aos jogadores que moram mais lá da fronteira e que, obviamente, não têm cassinos para jogar. O cassino Amambay dessa cidade, publica novidades em português mais que em espanhol, oferecendo prêmios de até 200 mil reais nas vendas de inscrições antecipadas e estadia gratuita para os jogadores de torneios de Poker Texas Holdem. O hotel oferece aos clientes brasileiros em grupos acima de quatro pessoas, transporte aéreo e estadia mediante o pago antecipado de 10 mil reais. É visto que os empresários paraguaios conhecem ao as preferências dos jogadores brasileiros, porque o cassino de Pedro Juan Caballero pôs em marcha um site de apostas online, junto com a construção de mais de 60 novos apartamentos.

Enquanto todas as previsões mostram que Brasil serei o maior mercado de apostas esportivas para o próximo mundial de futebol, as autoridades brasileiras deixam que os apostadores façam seus jogadas à margem da lei ou em os países vizinhos, os empresários que operam o jogo em Paraguai vão sacar proveito e se levarão as ganâncias e todos felizes, mas não tanto os cofres brasileiros que verão passar a suo lado essa grande massa de dinheiro. Os analistas asseguram que o jogo não será regulamentado este ano por ser um ano eleitoral, e porque não é muito provável que se coloque na pauta um tema tão polémico.

O conjunto de empresários argentinos, uruguaios y paraguaios não têm medo de que outros empreendedores ponham um cassino ao lado do que eles operam, nem que as regiões onde têm seus negócios tenham proteção geográfica. É que a os empresários só importa a cercania com o Brasil, porque não é um segredo que cassinos como o de Posadas, Conrad Punta del Este o Cassinos Iguaçu, baseiam seus operações nos pacotes que oferecem aos apostadores brasileiros. Os empresários conhecem que o grosso do dinheiro está nos bolsos detrás das fronteiras, e, até não legalize-se o jogo em Brasil, os únicos que se beneficiam são os aqueles que vem o potencial dos jogadores do território brasileiro.   

FABIAN BATAGLIA
 

Fabián Bataglia. Jornalista especializado na indústria dos jogos de azar; formado em Comunicação Social na Universidade CAECE de Buenos Aires e professor de Jornalismo e Comunicação nesta universidade. Especialista em produção de informação e em comunicação digital; atualmente trabalha no Diario del Juego de Buenos Aires, Argentina.