SEX 22 DE JUNHO DE 2018 - 21:42hs.
Gildo Mazza
OPINIÃO - GILDO MAZZA, JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SETOR DE JOGOS

BGC 2017: O jogo no Brasil é um caminho sem volta

O Brazilian Gaming Congress mais uma vez deixou claro para operadores, parlamentares, organizadores e, em última análise, para a sociedade, que o jogo precisa ser regulamentado para levar os avanços desta pujante indústria ao mercado brasileiro.

BGC 2017: O jogo no Brasil é um caminho sem volta

Mesmo com a grave crise institucional e com a surpresa, durante o evento, de que o presidente da República, Michel Temer, foi denunciado por crime de corrupção passiva, os presentes à quarta edição do congresso sentem que a aprovação de uma lei para o setor é apenas questão de tempo. E, mais ainda, uma necessidade para o Brasil, ávido por geração de empregos e aumento da arrecadação de impostos.

Empresários brasileiros e do exterior discutiram durante os dois dias as formas como o mercado pode ser regulado e o consenso foi de que, pelas dimensões continentais e pela variedade de jogos possíveis, ainda pode demorar um pouco para a aprovação de um dos dois projetos em andamento no Congresso Nacional.

Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi a possibilidade de implantação de cassinos, com a perspectiva de grandes complexos integrados em resorts, que poderão atrair investimentos superiores a US$ 5 bilhões, envolvendo projeto, construção e instalação de toda a infraestrutura necessária para uma operação séria. Além disso, a própria Associação Brasileira da Indústria de Hotéis estima um aumento de mais de 20 milhões de turistas buscando oportunidades de lazer a partir da implantação dos cassinos.

Esse tema foi abordado não só em algumas das sessões plenárias, mas também nos bastidores do evento, uma vez que alguns dos mais importantes players do mercado trocaram experiências com empresários brasileiros sobre as possibilidades reais de abertura do jogo e mesmo sem divulgar resultados das conversas, deixaram claro que estão prontos para investir em algumas regiões que apontaram como extremamente interessantes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia e outras localidades do nordeste e do centro-oeste brasileiro.

Mesmo os empresários de bingos, que estão há dez anos lutando para a volta da atividade, admitiram que o congresso foi positivo para dar novo impulso àqueles que se distanciaram um pouco da batalha em prol do restabelecimento do setor. Mesmo um pouco temerosos com a possibilidade de os investimentos para a abertura de salas serem muito altos, já começam a fazer as contas de quanto terão de desembolsar para voltar ao mercado.

As apostas esportivas, o jogo on-line e as loterias também estiveram na pauta, pois têm chamado a atenção tanto de empresas brasileiras como de operadores internacionais. Mesmo não atuando diretamente do Brasil, os mais importantes sites de poker on-line já admitem que cada dia mais brasileiros se inscrevem em torneios virtuais, assim como nos cassinos pela internet, o que demonstra a grande vocação dos apostadores do país, que contam com diversas opções seguras. Durante o evento, falou-se em mais de US$ 1 bilhão em impostos que deixam de ser arrecadados no Brasil pela falta de uma regulação desta parcela do segmento de jogos.

A única incógnita ficou para o mais popular e democrático jogo do bicho, que representa atualmente um dos maiores jogos ilegais do mundo, que movimenta mais de US$ 6 bilhões por ano no Brasil. Como a atividade é completamente pulverizada, não se chegou ainda a um consenso de como poderá ser trazido para a legalidade. A única coisa que ficou clara foi o interesse das loterias estaduais por este segmento de mercado.

Por mais que o Congresso Brasileiro de Jogos tenha buscado nos dois dias respostas para as perguntas de quando e como o setor será regulamentado, não houve consenso. Estima-se que após as reformas trabalhista e da previdência, o Congresso Nacional retome as discussões dos projetos em andamento na Câmara Federal e no Senado.

O termômetro, como muitos empresários afirmaram, será a administração da crise política que o país vem enfrentando. O que todos foram unânimes em afirmar foi o fato de que o Brasil não pode mais esperar, pois os impostos que os jogos podem aportar aos cofres do governo e os empregos que a atividade irá gerar serão fundamentais para a economia nos próximos anos e não pode ser descartada pela hipocrisia de uma pequena parcela da sociedade que ainda abomina o tema.

Cabem aqui duas menções de honra. Uma delas à Clarion Events, que promoveu um debate à altura da importância do Brasil no cenário mundial e da iminência de o país aprovar uma legislação séria e transparente.

A outra, para o GMB, que contou com uma equipe de quatro jornalistas levando ao mundo, em tempo real, o que estava acontecendo no BgC. Mais de 22 horas de cobertura on-line, com 54 matérias explorando a fundo os temas abordados no encontro, 115 fotos e vídeos mostrando o que estava acontecendo e uma análise profissional do evento marcaram uma cobertura com excelente repercussão tanto em nosso portal www.gamesbras.com quanto nas redes sociais.

Que venha o jogo, que venham os impostos e que o Brasil crie milhões de empregos formais, fazendo da atividade um patrimônio para o país e uma fonte imensa de benefícios para a sociedade brasileira.

GILDO MAZZA

 

Gildo Mazza, jornalista especializado no setor de jogos, editor da revista Games Magazine desde sua fundação, em 1997, tendo sido também colaborador de edições da publicação na Itália, Venezuela, Colômbia, México e Argentina.