QUA 15 DE AGOSTO DE 2018 - 12:23hs.
OPINIÃO - Vinicius Lummertz, ministro do Turismo

A regulamentação dos resorts integrados a cassinos é urgente!

'Estamos na contramão das melhores práticas globais. Do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, 93% têm os jogos legalizados. A regulamentação dos resorts integrados a cassinos é urgente! Os exemplos espalhados pelo mundo provam que eles são um excelente negócio', afirma Vinicius Lummertz, ministro do Turismo do Brasil, em uma coluna de opinião titulada 'Resorts com cassinos para gerar empregos', no jornal O Globo de hoje.

A seguir, veja o texto completo da coluna assinada pelo ministro Lummertz em O Globo:

Enquanto mais de 13 milhões de brasileiros sofrem com o desemprego, o Congresso Nacional discute projeto de lei que pode atrair mais de R$ 50 bilhões em investimentos e gerar mais de cem mil empregos no Brasil. A regulamentação dos resorts integrados a cassinos é urgente! Os exemplos espalhados pelo mundo provam que eles são um excelente negócio.

Em primeiro lugar, é preciso separar os resorts integrados dos outros tipos de jogos, como o bicho e máquinas caça-níqueis. Para o turismo, interessa a regulamentação do primeiro tipo de empreendimento, que atrai grupos internacionais e promove o turismo de negócios e eventos.

Atualmente, estamos na contramão das melhores práticas globais. Do grupo dos 20 países mais ricos do mundo, 93% têm os jogos legalizados. Se levarmos em consideração os 193 países-membro da ONU, apenas um quarto das nações têm alguma restrição aos jogos.

Enquanto fechamos as portas para um negócio bilionário, que funciona praticamente no mundo todo, a pirataria toma conta do Brasil, e os nossos turistas geram empregos no exterior. Estimativas indicam que os jogos ilegais movimentam quase R$ 20 bilhões na economia nacional. Atualmente, os brasileiros representam 70% da ocupação e 50% do faturamento do principal cassino do Uruguai.

Cingapura serve de exemplo do poder transformador dos resorts integrados. Dois grupos hoteleiros investiram mais de R$ 30 bilhões em dois empreendimentos. Depois disso, o número de visitantes internacionais saltou de 9,7 milhões em 2009, para 17,4 milhões em 2017. A receita foi de US$ 12,8 bilhões para US$ 26,8 bilhões no mesmo período. A título de comparação, o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas internacionais e faturou US$ 5,8 bilhões em 2017.

Em última instância, apoiar os resorts integrados é apostar no turismo de eventos. Os cassinos são apenas uma pequena parte desse negócio multibilionário. A essência dele são eventos corporativos, shows e entretenimento. Nesse segmento, o Brasil — que figurou por mais de dez anos no TOP 10 da ICCA, entidade global que ranqueia os países que mais realizaram eventos internacionais no ano — agora amarga a 16ª posição.

Os críticos de plantão, avessos a qualquer mudança, vão alegar que o jogo facilita a lavagem de dinheiro e o crime organizado. A regulação com regras claras de governança e o monitoramento evitam práticas indesejáveis. O modelo restrito, com a concessão de licenças limitadas, facilita o rígido controle das autoridades, utilizando estrutura de fiscalização semelhante à do Banco Central e Coaf no setor bancário.

Com uma capacidade de investimento extremamente limitada, cabe ao país buscar formas arrojadas de geração de negócios. Há uma frase atribuída a Albert Einstein, segundo a qual, insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Todos perguntam por que o Brasil não consegue sair dos seis milhões de turistas internacionais. Não aprovar a regulamentação dos resorts integrados e esperar um salto do turismo no Brasil não seria uma atitude que beira a insanidade?

Vinicius Lummertz é ministro do Turismo

Fonte: GMB / O Globo