QUI 21 DE SETEMBRO DE 2017 - 09:27hs.
BGC - Painel sobre Modelo de Negócios do Bingo

“O bingo não tem a rentabilidade que todos pensam”

Fábio Kujawski, da Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, mediou o encontro sobre bingos, convidando o presidente da Abrabincs, Olavo Sales da Silveira, e o empresário Diego Escorza da Bras Bingo, para falarem sobre os dez anos de sucesso da atividade no Brasil, numa época em que salas de extremo bom gosto, atendimento exemplar aos clientes e desenvolvimento de máquinas de altíssimo nível.

"Atualmente, cassinos do todo o mundo utilizam máquinas com o conceito slam-top, desenvolvido no mercado brasileiro. As cartelas, mundialmente, não avançaram muito, mas acredito que no Brasil elas ainda terão uma boa fatia do mercado quando o setor for regulamentado”, analisa Escorza.

Ele trouxe o exemplo da Espanha, onde os prêmios são fixos (70% da receita da venda de cartelas), pede-se identificação do jogador e imposto fixo por máquina mais as taxas de funcionamento das salas. "Na Espanha, os bingos são controlados pelos estados, que poderia ser um exemplo a ser seguido no Brasil”, avalia. Para o executivo, "está mais do que na hora defendermos a atividade e buscar a regulamentação de maneira a que o país volte a ser uma referência como já foi no passado”.

Olavo Sales, presidente da Abrabincs, disse que "é importante discutir o tema jogos de maneira global em nosso país, mas pensando cada segmento que envolve tantas atividades isoladamente, para se definir quais jogos teremos”. Segundo ele, necessariamente a regulamentação irá definir quantas salas de bingos ou cassinos serão permitidos.

"E a visão que me veio é sobre quanto vai custar a montagem de um bingo, por exemplo, para se chegar a números sobre a abertura de uma casa, considerando área útil de cerca de 1.800 m2, com 256 lugares para cartelas e espaço para 400 máquinas. Ao se buscar um imóvel, será necessária reforma e uma série de investimentos, como aquisição de equipamentos, móveis, contratação e treinamento de funcionários etc. Se imaginarmos a exigência de uma concessão, por meio de leilão, em que se pague algo em torno de R$ 10 milhões, podemos chegar a mais de 20 milhões de investimento inicial”, narrou, apontando algo em torno de R$ 316 mil como o retorno nas cartelas, somado a pouco menos de R$ 3 milhões de receita na área de máquinas.

O dirigente apontou ainda os custos de funcionamento do bingo da ordem de R$ 3 milhões por mês considerando a configuração inicial da sala e o valor pago em leilão pela concessão. "Ou seja, a atividade não tem a rentabilidade que muitos pensam”, contou.

Fonte: GMB
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