DOM 27 DE MAIO DE 2018 - 22:10hs.
OPINIÃO-CARLOS CARDAMA, DIRETOR GERAL DO GMB

“A melhor edição da ICE em sua história deve despertar o Brasil”

A ICE London superou todas as expectativas da indústria global de jogos, com uma espetacular demonstração de alta qualidade tecnológica, inovação e milhões de dólares em negócios. Carlos Cardama, diretor geral do GMB, esteve presente e constatou que “apesar de muito atrasado neste setor, o Brasil tem de abrir os olhos para este importante segmento econômico, pois ele gera riqueza, empregos e impostos, muito necessários para o país”.

Participo da ICE London desde sua primeira edição e neste ano muito mais do que surpreso, chego a ficar envergonhado em ver que o Brasil está andando para trás no setor de jogos e precisa urgentemente mudar de rota.

A edição 2018 da Feira de Londres reuniu mais de 450 expositores de 65 países e já se consolida como a melhor feira mundial de todos os tempos. E  o que se viu durante estes dias foi muita qualidade e tecnologia para cassinos, bingos, apostas esportivas, online, turfe e um profissionalismo que marca um segmento econômico que movimenta muitos bilhões de dólares todos os anos.

E quando falo em exposição, não quero dizer apenas uma vitrine de produtos e serviços. No caso da ICE London, estou falando em negócios de alto nível, o que me faz pensar o que o Brasil está perdendo por não fazer parte deste importante negócio, pois tudo é maravilhoso pela pujança de um setor bem regulamentado.

O Brasil discute há muitos anos a liberação do jogo e nos dois últimos anos as discussões chegaram à maturidade. Mas, infelizmente, alguns personagens do nosso Congresso Nacional ainda ficam vacilando se apoiam ou não a atividade. Outros, se votam a liberação apenas de cassinos com resorts ou todos os segmentos de jogos. Está na hora de uma discussão final séria olhando para os números, que não mentem.

Espera-se que todos os jogos regulamentados possam oferecer aos cofres públicos mais de R$ 30 bilhões. E vendo uma feira como a ICE, em que a maioria das empresas gastaram algumas centenas de milhares de dólares em decoração e em equipes técnicas, me pergunto porque o Brasil não caminha no mesmo sentido. Apenas uma empresa, a BetConstruct, levantou um estande de quatro andares na feira. Enquanto isso, os parlamentares brasileiros discutem se autorizam ou não a abertura de um bingo.

Em resumo, estar mais uma vez na ICE London me dá muito orgulho, dos outros, e uma dor imensa no coração por nós, do Brasil, que estamos na contramão da história neste rico setor econômico.

Em praticamente todos os estandes, o discurso foi o mesmo sobre o Brasil e a principal indagação era por que o país não regulamenta a atividade. Todos querem vir para o Brasil oferecer a qualidade mundialmente reconhecida e aprovada de seus produtos e serviços para gerar riqueza, impostos e empregos. O Brasil tem um capital humano criativo excepcionalmente e poderá fazer florescer uma indústria nacional de alto nível. Na ICE vimos isso em alguns estandes de empresas com DNA brasileiro.

Senhores congressistas, vamos regulamentar o setor. Vamos ser diretos e implementar de uma vez por todas uma lei transparente e séria para a atividade. O Brasil vai se sobressair por toda sua potencialidade.
 

CARLOS CARDAMA
DIRETOR GERAL DO GAMES MAGAZINE BRASIL