SÁB 23 DE JUNHO DE 2018 - 06:51hs.
Karen Sierra-Hughes, Diretora da LatAm e Caribe

"O regulamento do jogo será positivo não só para o Brasil, mas para toda a região"

(Exclusivo GMB) Participando pela 14ª vez na SAGSE, a GLI demonstra mais uma vez o apoio ao setor na Argentina e na região, onde Karen Sierra-Hughes, Diretora de Relações Governamentais da GLI para a América Latina e Caribe, destaca que avanços importantes foram feitos neste 2017. E destaca a situação no Brasil: 'O potencial é imenso, embora seja a decisão do regulador definir o tamanho do mercado'.

GMB - Mais uma vez a GLI participou da SAGSE. Com que expectativas você chega neste ano?
Karen Sierra-Hughes  - Com muita, como sempre. Viemos aqui por 14 anos, refletindo nossa lealdade e compromisso com a indústria argentina de jogos, nos bons momentos e nos maus momentos. Acompanhando sempre não apenas os reguladores, que são nossos clientes, mas também os fornecedores locais e os internacionais que participam desta grande feira.

Como você vê a feira?
Para nós, é muito positivo, pois nos dá a possibilidade de entrar em contato direto com nossos clientes, especialmente eu, que não estou o tempo todo na América Latina. É importante conversar com eles, ouvir seus comentários, saber como está o mercado. Ouvi muitos comentários positivos da indústria argentina, que está crescendo pouco a pouco com melhores condições para todos.

Como você vê o mercado de apostas latino-americano no contexto global?
É superimportante. Os fabricantes e fornecedores que trabalham com a GLI, que são na sua maioria europeus, estão de olho na América Latina e dedicam esforços para entrar neste mercado. O esforço que os reguladores latino-americanos estão fazendo para gerar regulamentos e proporcionar maior transparência à indústria é importante. Este trabalho, sem dúvida, está dando frutos e gerando oportunidades para todos.

Como a GLI está posicionado nesse contexto?
Nosso papel na indústria é muito amplo. Trabalhamos não só para a indústria de jogos de cassino, mas também para loterias, bingos, apostas online, presenciais, com uma ampla gama de serviços, nos quais não só lidamos com questões de certificação e auditoria, mas também realizamos trabalhos de consultoria e colaboramos com reguladores no desenvolvimento de leis de jogo. Esse tem sido um foco importante que desenvolvemos nos últimos anos. Trabalhamos em vários países neste campo e vemos que certamente haverá oportunidades para toda a indústria.

Chegando no final de 2017, se você tivesse que dizer qual é o país que mais avançou nesta área, o que você diria?
Muito aconteceu em 2017. Poderíamos dizer que a Colômbia fez muito progresso com o tópico on-line, mas não quero focar apenas no on-line, que é importante, mas pensar sobre os regulamentos adicionais que o regulador criou para introduzir novos tipos de jogo. Também temos o Paraguai, que avançou seus processos de licitação de cassinos ao estabelecer processos de controle que são importantes. Também avançou na regulação da operação de salas nos municípios e em relação às questões de certificações. E a Argentina também deu passos semelhantes, em diferentes províncias, o que dá maior transparência para todo o setor.

E como você vê o processo de regulamentação do Brasil, que parece mais próximo do que nunca agora?
Nós sempre tentamos ser otimistas, e qualquer movimento para a legalização do jogo parece positivo. Se finalizado, seria absolutamente positivo não só para o país, mas para toda a região. Estamos falando de uma indústria que gerará muitas oportunidades, incluindo desenvolvedores de jogos locais, máquinas e outras áreas. Eu acho que todos nós vamos nos beneficiar se isso acontecer.

Mesmo com o mercado fechado, a GLI recebeu consultas de empresas locais no Brasil?
Acontece que existem empresas que são originárias do Brasil e que, quando o mercado fechou, tiveram que sair do país e entrar em outros mercados para continuar trabalhando. Então, temos clientes brasileiros que avançaram nos processos de certificação porque estão em outros mercados. E fora disso, temos empresas que estão tentando entender o processo para se preparar. Ver esses tipos de preocupações e comunicação também é positivo porque mostra que a indústria entende que, se a atividade for regulamentada, será importante estabelecer os critérios técnicos para manter a transparência.

Qual o potencial que você vê para o mercado brasileiro?
Seu potencial é imenso. Será a decisão do regulador definir o tamanho do mercado, e é uma decisão que deve ser feita através da análise do mercado e ver se há o suficiente para que se atenda a essa demanda.

A GLI esteve presente em um dos road shows sobre a privatização da Lotex. O que você pode nos contar sobre isso?
Sim, nós participamos porque queríamos entender melhor o que estava acontecendo e como é o processo, pois entendemos que será muito importante para o Brasil e, como eu disse antes, porque qualquer conversa que está ocorrendo para legalizar algum tipo de jogo no país é importante para nós e nós o apoiamos. É por isso que fomos saber qual era a situação da Lotex e para estarmos preparados no futuro se eles precisarem dos nossos serviços.

Como você vê 2018 para o setor de jogos?
Eu acho que será um ano interessante. Na América Latina, existem vários países com eleições, o que às vezes retarda os processos e o progresso. Mas, por outro lado, em jurisdições que já fizeram progressos na regulamentação, veremos os frutos do trabalho que foi feito para operadores e fornecedores. E a isso se somarão com certeza os desafios que as mudanças políticas podem trazer certamente.

Fonte: GMB